Newsletter

Blog


  • 11 / 09

    Artistas à Venda

     

    “Artistas à Venda”, exposição realizada através do programa Pretexto no Memorial Attilio Fontana, se constitui de uma reflexão acerca do estatuto do artista. Ela é, antes de mais nada, uma plataforma de discussão das práticas contemporâneas e dos modos de atuação dos artistas no sistema da arte. A consciência crítica e o envolvimento dos artistas com as questões políticas, sociais e econômicas – no âmbito local e nacional - tende a despertar uma euforia, tanto da classe artística quanto do público, menos voltada para os ideais do individualismo e mais para a perpetuação de projetos coletivos para o futuro.

    A preocupação de que algo é ou deixa de ser “arte” é tomada pela noção de que o feito de ser “artista” nada tem a ver com a difusão da arte e sua inserção no sistema. Como insistir em uma obra que não cede às demandas do governo, das instituições ou mesmo do grande público? A postura dos artistas, historicamente, sempre foi contraditória. A insistência pela criação de uma obra particular perturba o núcleo das ideologias hegemônicas (das igrejas, do capitalismo, etc.), exatamente porque a compreensão e o modo como a arte se comporta no mundo é singular e, portanto, plural. Significa dizer que o artista não é aquele que unifica as vozes, mas aquele que tenta torná-las ainda mais dissonantes.

    Todos os artistas presentes nesta exposição produziram a partir de incômodos individuais e coletivos. Esse agir próprio - seja através da escrita, do vídeo, da pintura, da performance ou da instalação - é o motor desse conjunto de obras, um espectro de possibilidades de pensar as suas próprias condições de artistas atuantes em uma cidade do interior do Estado de Santa Catarina, desprovida de mercado de arte ou de instituições de grande porte. “Artistas à Venda” procura dar voz aos sujeitos para que eles possam pensar para agir e, não somente, agir para não pensar.

    “Artistas à venda” é, portanto, uma afirmação do avesso. Quando dizemos “estamos à venda”, questionamos o nosso próprio valor como trabalhadores da cultura e fazemos com que o olhar do outro para esta prática possa acontecer de forma mais íntima e propositiva. Trata-se de saber perceber e habitar o espaço de mediação em que se constroem as noções do “eu” e do “outro”. Ser artista, seja em uma grande metrópole ou em uma cidade no interior, é uma postura de insistência.

    Esta exposição, de caráter provocativo e lúdico, apresenta um conjunto de trabalhos inéditos, realizados por artistas de diversas formações e idades, mas que compartilham de uma vontade comum: injetar vida nas coisas.

     



    Kamilla Nunes é curadora independente. Graduou-se em Artes Plásticas pelo Centro de Artes da UDESC. É gestora da Rede Artéria [arteria.art.br]. Foi curadora do programa de exposições do Memorial Meyer Filho de 2007 a 2011. Entre suas últimas curadorias, encontra-se “ERRO EX POSTO”; “Sumidouro” [Laboratório Curatorial da SP-Arte]; a participação na equipe curatorial de Frestas Trienal de Artes e Bienal Internacional de Curitiba. É autora do livro “Espaços autônomos de arte contemporânea”, 2013.

     

    Compartilhe:

    Comentar:

    Comentários:

    Nenhum comentário no momento!